A tragédia da perda do horizonte na liderança moderna
"A vida moderna é um nevoeiro. Ela te dá tantas respostas fáceis que você esquece de fazer as perguntas difíceis. No mar, não tem nevoeiro que dure pra sempre. O mar te obriga a olhar pro horizonte e perguntar: pra onde eu estou indo?" — Sebastião, O Reflexo (Episódio 4)"
Há uma tragédia silenciosa na forma como a liderança moderna opera: nós trocamos o horizonte pela próxima estação
A liderança exausta de hoje age, fundamentalmente, como um Maquinista. Ela acorda todos os dias e olha para baixo, para os trilhos de aço que colocaram à sua frente. Os trilhos são as metas do trimestre, os prazos do projeto, a entrega do resultado, os dashboards de performance, os frameworks de gestão. Eles oferecem uma promessa sedutora de segurança. Afinal, se você está no trilho, você não precisa lidar com a direção; você só precisa garantir a velocidade.
Esse é o "nevoeiro" de que Sebastião fala no recém-lançado Episódio 4 da Série "O Reflexo". A vida profissional moderna nos dá um excesso de respostas fáceis (métricas, processos, rituais) que criam uma neblina espessa ao nosso redor. Ocupados demais puxando alavancas e controlando a pressão da caldeira, esquecemos de fazer a única pergunta que importa: Para onde este trem está me levando?
O Maquinista não tem horizonte. E quanto mais acelera, mais se afasta do horizonte que permanece, silencioso, às suas costas. Só lhe resta então a próxima estação. A liderança-maquinista só tem, assim: a próxima entrega; a próxima sprint; o próximo release; a próxima reunião; o próximo incêndio para apagar.
Vivemos em um estado de sobressalto contínuo, saltando de estação em estação, acreditando que a soma dessas paradas curtas nos levará a algum lugar significativo. Mas a verdade é que nos identificamos tanto com nossos trilhos que perdemos nossa verdadeira identidade.
A vida moderna é barulhenta. É tanto controle, tanta meta, tanto prazo, tanta conta... que você para de ouvir a sua própria voz. Eu virei pescador para ficar perto do mar. O mar é o mestre que te ensina a ouvir o silêncio." — Sebastião, O Reflexo (Episódio 4)
Para navegar, é preciso silêncio. Não o silêncio da ausência de som, mas o silêncio interno da Soberania Interior. É preciso desacelerar a compulsão por resolver problemas imediatos para conseguir ouvir a própria voz e recalibrar a bússola interna.
O barulho da execução, o excesso do "Fazer", ensurdece a intuição mais sábia. Quando a sua mente está preenchida pelo ruído das urgências, o seu centro de gravidade se desloca para fora. Você passa a ser governado pelo ambiente, reagindo a atratores corporativos, em vez de governar a sua própria resposta a eles. Você perde o seu centro.
O Maquinista tem a ilusão do controle, mas não tem soberania sobre o próprio destino.
"O Maquinista acha que o trilho protege o trem, o Navegador sabe que não existe trilho, só existe o mar" — Sebastião, O Reflexo (Episódio 4)
O mar é a realidade em si: o território real, complexo e imprevisível da vida. Nele, não há caminhos pré-definidos. Não há trilhos que nos protejam das correntes. O mar exige que abandonemos a segurança ilusória dos trilhos para encarar a vastidão das possibilidades; que troquemos o controle mecânico pela clareza de direção; que levantemos a cabeça e olhemos para o horizonte.
O Navegador sabe que a liderança não é sobre a força com que você segura o leme, mas sobre a clareza com que você lê o vento e as estrelas, ou seja, o território a sua volta.
A vida não é uma sucessão de estações. É uma jornada de aprendizados e descobertas.
Enquanto continuarmos olhando apenas para os trilhos, a exaustão será a nossa única companheira de viagem. O convite do mar, e da Série o Reflexo, é para que tenhamos a coragem de parar o trem por alguns minutos e olhar para o horizonte.
O Episódio 4 acabou de sair do forno. Ouça no Youtube ou no Spotify.